O Simpósio Mundial de Dados 2026 da IATA (WDS), realizado em Singapura, refletiu uma indústria da aviação que está passando da experimentação para uma fase mais orientada à execução na sua transformação digital. À medida que as companhias aéreas evoluem de simples meios de transporte para ecossistemas centrados na experiência — onde a fidelização passa a definir cada vez mais a receita — o foco se desloca para o rigor operacional necessário para sustentar essa transição sem comprometer margens de lucro já enxutas.
Embora a inteligência artificial continue dominando a conversa, surgiu um tema mais fundamental: a logística de dados. Ao longo das discussões, ficou claro que os stacks tecnológicos atuais das companhias aéreas não são a principal limitação. O verdadeiro diferencial está em como os dados são gerenciados, conectados e governados em escala, especialmente considerando que as companhias aéreas processam milhões de registros sensíveis de passageiros diariamente em diversos sistemas. Aqui estão os principais aprendizados de um dos eventos mais relevantes do setor.
Quebrando silos: a busca por uma única fonte de verdade
Por anos, a ideia de uma jornada do passageiro sem atritos foi limitada pela fragmentação de dados, um problema estrutural. Informações críticas permanecem distribuídas em sistemas legados que abrangem gestão de receita, fidelização e operações, reduzindo a visibilidade e desacelerando a tomada de decisões.
O impacto financeiro dessa fragmentação está se tornando mais evidente. Estimativas do setor sugerem que a baixa qualidade dos dados e sistemas desconectados podem gerar perdas de receita de 3% a 5% globalmente, o que se traduz em centenas de milhões — ou até bilhões — de dólares para grandes companhias aéreas.
No WDS, destacou-se a necessidade de uma base de dados unificada para permitir que as companhias avancem em direção a um modelo de maturidade Offer, Order, Settle and Delivery (OOSD), uma mudança que exige arquiteturas capazes de conectar fluxos de dados antes isolados em uma camada operacional coesa. Abordagens como o Global Data Bus, patrocinado pela Globant, refletem essa direção, buscando reduzir a fragmentação e permitir acesso a dados mais consistente e em tempo real em toda a organização.
O imperativo da confiança: equilibrando hiperpersonalização com privacidade
Uma tensão recorrente ao longo da semana foi o equilíbrio entre avançar na personalização com IA e atender a regulamentações de privacidade de dados cada vez mais complexas. À medida que as companhias aéreas expandem suas capacidades digitais, o volume e a sensibilidade dos dados dos clientes continuam crescendo.
Esse desafio é ampliado pela escala e complexidade das operações. Com margens de lucro frequentemente na faixa de um dígito, mesmo pequenas ineficiências na governança de dados ou seu uso inadequado podem gerar consequências financeiras e reputacionais significativas.
Nesse contexto, o setor está abandonando abordagens reativas e adotando estruturas mais sólidas, como Privacy by Design. Para os executivos de companhias aéreas, isso significa que a inovação deve ser desenvolvida dentro dos limites da confiança. Por isso, tratar a conformidade como uma prioridade operacional será essencial para sustentar relações de longo prazo com clientes e permitir o uso responsável de dados em escala.
A IA como motor: do hype à utilidade real
A inteligência artificial permanece central na transformação do setor, mas seu papel está evoluindo. As discussões no WDS mostraram uma mudança da experimentação para aplicações mais práticas e de alto impacto.
Por um lado, a IA está sendo utilizada para melhorar a eficiência operacional, automatizando processos complexos como liquidações e fluxos de back-office, permitindo que o capital humano se concentre em estratégia. Por outro, possibilita interações mais dinâmicas e contextuais, além de suportar a geração de ofertas em tempo real alinhadas à intenção do passageiro.
Essa evolução ocorre em um momento de crescente pressão operacional. Com a demanda global em alta e fatores de ocupação projetados para alcançar cerca de 84% em 2026, as companhias operam com margens de erro mais estreitas, tornando a tomada de decisão em tempo real baseada em dados mais crítica do que nunca. Esse duplo papel posiciona a IA como um motor integrado que impulsiona tanto a produtividade quanto o crescimento.
Rumo a uma indústria aérea orientada por dados
O WDS 2026 confirmou que a jornada rumo a uma indústria digital-first está em andamento. Embora estruturas como o OOSD forneçam direção, o progresso depende, em última instância, da capacidade de operacionalizar os dados de forma eficaz.
As companhias aéreas que terão sucesso nessa transição serão aquelas capazes de reduzir a fragmentação, construir confiança em suas práticas de dados e integrar a IA aos processos centrais do negócio. À medida que esta edição se encerra, o caminho está definido: as companhias que tratarem os dados como seu ativo mais valioso serão as que definirão a experiência de viagem do futuro.
Para organizações que buscam acelerar essa transformação, o Airlines AI Studio da Globant reúne expertise do setor, capacidades de dados e soluções baseadas em IA para transformar estratégia em execução.